ECONOMIA CIRCULAR E ALIMENTOS A BASE DE PLANTAS FIZERAM PARTE DOS DEBATES NO SUSTAINABLE FOOD SUMMIT 2019

Luciana Vieira – Agrosuisse – www.agrosuisse.com.br

Nos dias 28 e 29 de novembro aconteceu na cidade de São Paulo a edição Latino Americana do Sustainable Food Summit, organizado pela Ecovia Intelligence. O evento é voltado para a discussão de novas tendências e problemáticas envolvendo a sustentabilidade na agricultura e nos produtos alimentícios em geral.

Esse ano, as palestras foram marcadas pelos temas envolvendo os alimentos Plant-based, alternativas aos produtos de proteína animal, novas tendências para embalagens plásticas e atualizações sobre economia circular, mercado orgânico, vegetariano e vegano no Brasil e no mundo.

Palestra 01 – Emerging Labels for Sustainable Animal Products

Luiz Mazzon Neto

Daniel Araújo

Os palestrantes ressaltaram a importância da conscientização dos produtores pecuários para o aumento da aquisição de certificações de cunho ambiental e de bem-estar animal, dando o destaque para as ações das ONGs que trabalham com palestras e workshops promovendo a disseminação da informação na cadeia animal sustentável.

Destacaram ser fundamental também a participação e comprometimento das grandes empresas em prover a esse novo consumidor – millennials – produtos com diferenciação: sistema de avicultura cage free, orgânico, natural e sustentável.

Segundo os últimos dados de 2019, lançados pelo relatório Euromonitor, essas são algumas das novas tendências dos consumidores:

  • Prezam pelo bem-estar animal;
  • Realizam compras online;
  • Valorizam a qualidade nutricional dos alimentos – transparência nos rótulos;
  • Consomem localmente.

Para esse último caso, quando não acontece, o produtor pode contar com a garantia da qualidade presente nos selos, pois, na cadeia curta existe uma relação de confiança direta entre o produtor e o consumidor final, enquanto na cadeia longa, existem diversos elos no sistema até que o produto atinja o consumidor, então, o selo entra como uma garantia da origem atestando uma diferenciação ao produto.

Além disso, as empresas estão se adequando a uma nova forma de comunicação com seus consumidores, com envolvimento em causas sociais, pois não basta apenas prezar pelo lucro e qualidade, as novas gerações estão atentas aos valores pregados por essas empresas. Cada indivíduo passou a ser visto como um influenciador, visto os engajamentos nas redes sociais e o diálogo com esses interlocutores deve acontecer de forma instantânea.

Palestra 02 – Sustainable Foods in a Circular Economy

Carla Tennenbaum

Apresentou metodologia C2C desenvolvida pelo arquiteto americano William McDonough e pelo engenheiro químico alemão Michael Braungart, autores do livro que apresenta esta ideia “Cradle to Cradle”, onde os recursos são geridos em uma lógica circular de criação e reutilização, em que cada passagem de ciclo se torna um novo ‘berço’ para determinado material. Dessa forma, o modelo linear é substituído por sistemas cíclicos, permitindo que recursos sejam reutilizados indefinidamente e circulem em fluxos seguros e saudáveis – para os seres humanos e para a natureza.

A palestrante também apresentou exemplos de empresas que praticam tal metodologia em novas ideias voltadas para a cadeia do agro, como:

Banco de Alimentos – Inspirada na ideia de reduzir o desperdício de alimentos na indústria e comércio, e distribuir o excedente para instituições sociais, a ONG realiza uma Colheita Urbana que possibilita a complementação alimentar de qualidade para mais de 20 mil pessoas, todos os dias.

Comida Invisível – Uma startup social certificada pela FAO/ONU com o selo Save Food. Um hub tecnológico desenvolvido para o não desperdício a partir do alimento. Com foco em educação e conscientização, a missão da empresa é reduzir o desperdício e a má distribuição de alimentos, e contribuir para a diminuição de gases de efeito estufa no planeta.

Palestra 3 – Flavorings for Plant-Based Foods

Vinicius Pedote

O palestrante apresentou a empresa multinacional expert em extratos botânicos (fragrâncias e aromas) comercializados para a indústria alimentícia.

A empresa focou em sua área de sustentabilidade e contou como vem se adequando às necessidades exigidas pelos consumidores no que se refere ao tema, como na conscientização na abordagem dos ingredientes nos chamados “clean label”, rótulo com ingredientes e processos que o consumidor consegue identificar facilmente, onde são conhecidos como os termos “Kitchen ingredientes” e “Kitchen process”.

A empresa também vem desenvolvendo ações juntos aos produtores rurais, com objetivo de cortar intermediários na produção, fixando contratos para comercializações com garantias mais seguras para ambos os lados, da empresa e do produtor. Essa parceria é feita com o a prestação de assistência técnica, por uma empresa parceira no Brasil, de forma assistencial, para depois a comunidade de produtores seguir pelos próprios meios.

Finalizando, apresentou o conceito de inovação com responsabilidade da empresa, onde o foco é o desenvolvimento de produtos de fontes naturais, que possuem qualidade e promovem a saúde e o bem-estar, e fazem parte de um processo sustentável.

Palestra 4 – Plant-Based Proteins for Meat Alternative

Aisla Rutkowski

A Roquette, empresa francesa multinacional, apresentou os números de consumo dos alimentos Plant-Based no último ano de 2018 nos EUA, onde houve um aumento de 20%, enquanto os produtos a base de carne obtiveram 2%. A projeção desse mercado para o ano de 2020 é um faturamento de 5.2 bilhões de dólares.

Hoje, o produto líder como substituto da proteína animal, excluindo a soja, é a ervilha que ainda apresenta desafios para a indústria alimentícia como melhoramento de sua textura e sabor.

 

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