Praça da Sociobiodiversidade: uma iniciativa inovadora

A Praça da Sociobiodiversidade congrega empreendimentos constituídos por Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares que utilizam os recursos da biodiversidade brasileira para sua viabilidade econômica e socioambiental. Participam desta primeira edição na ExpoSustentat, 38 empreendimentos e Redes de empreendimentos dos Biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal.

Ela é uma estratégia do Plano Nacional da Sociobiodiversidade de promoção comercial para os produtos da biodiversidade brasileira. Com essa ação, busca ampliar o espaço de divulgação dos Biomas através da convergência de iniciativas realizadas em edições anteriores na ExpoSustentat, das Salas Caatinga-Cerrado, Mercado Mata Atlântica e Andes-Amazônia, ampliando aos demais biomas brasileiros, que ainda não possuem redes de comercialização específicas.

“Vemos a praça como uma forma de demonstrar para a sociedade a importância de se ter políticas eficazes para o extrativismo, demonstrar a importância dos produtos na vida das pessoas. Entre um copo de leite de soja e um copo de açaí tem uma diferença muito grande. O açaí você extraiu e deixou a árvore viva, no outro ano ela vai produzir outro cacho. A soja não, tirou-se a biodiversidade, a vegetação, todo um ecossistema para poder produzir”. (Manoel Cunha, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas-CNS, agosto 2010).

A Praça da Sociobiodiversidade é um local itinerante de visibilidade da riqueza natural e social intrínseca aos Biomas brasileiros. Uma vitrine de exposição, comercialização e de diálogo com consumidores, empresários, formadores de opinião, imprensa e população em geral. Pretendendo assim, a construção com a sociedade de caminhos sustentáveis.

A Praça da Sociobiodiversidade na Promoção de Mercados Sustentáveis

No atual cenário seja no âmbito local, nacional ou internacional, em relação ao mercado, existem tendências calcadas no interesse do consumidor por produtos que considerem questões ambientais e sociais, principalmente nos produzidos na Amazônia brasileira.

Muitos consumidores já conhecem os produtos orgânicos, ou de manejo sustentável, porém, o conceito dos produtos da sociobiodiversidade ainda é pouco conhecido. Não obstante, esse novo nicho de mercado já foi identificado, necessitando de divulgação junto a sociedede do valor sociambiental intríncico a esses produtos.

Essa ação de promoção dos produtos da sociobiodiversidade se justifica, já que no Brasil temos aproximadamente 144 milhões de hectares de florestas de uso comunitário, onde vivem integradas aos recursos da biodiversidade, há muito tempo, uma população de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. Esses dados nos mostram a importância de olhar, reconhecer e valorizar nossos potenciais socioambientais.

Quando falamos de mercado para os produtos oriundos das cadeias da sociobiodiversidade, precisamos considerar elementos específicos que estão relacionados e esse processo produtivo como: o controle na utilização dos recursos da biodiversidade; o conhecimento das populações que vivem desses recursos, das formas de processamento, dos tempos e ciclos naturais, dos atores envolvidos na cadeia produtiva, dos registros, dos contratos, da qualidade dos produtos e da dignidade das famílias extrativistas, pois são elas que garantem a manutenção da floresta em pé. Diante disso, a Praça da Sociobiodiversidade tem como princípios:

A sustentabilidade econômica para empresas e empreendimentos comunitários, no fortalecimento de relações comerciais transparentes e de cooperação entre todos os elos das cadeias produtivas;

A sustentabilidade social das populações que vivem em cada bioma brasileiro e do reconhecimento junto ao público consumidor;

A sustentabilidade ambiental através da gestão do uso dos recursos naturais;

A geração de trabalho e renda para Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares;






 

Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade

O Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB) tem como objetivo desenvolver ações integradas para a promoção e fortalecimento das cadeias de produtos da sociobiodiversidade, na construção de mercados sustentáveis. Ele é coordenado pelos Ministérios do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social e Combate à Fome e pela Companhia Nacional de Abastecimento.

Entende-se como produtos da sociobiodiversidade bens e serviços, (produtos finais, matérias primas ou benefícios) gerados a partir de recursos da biodiversidade, voltados à formação de cadeias produtivas de interesse dos povos e comunidades tradicionais e de agricultores familiares, que promovam a manutenção e valorização de suas práticas e saberes, e assegurem os direitos decorrentes, gerando renda e promovendo a melhoria de sua qualidade de vida e do ambiente em que vivem.

O PNPSB reconhece o potencial natural e sociocultural da biodiversidade brasileira, ao mesmo tempo em que vislumbra uma oportunidade interessante para investimento em negócios sustentáveis tanto para o mercado nacional como internacional na inovação de produtos nas áreas de alimentos, cosméticos, indústria farmacêutica, moda, decoração e prestação de serviços como ecoturismo entre outros.

Atualmente, o PNPSB desenvolve ações pactuadas com 10 estados da federação – AM, AC, PA, MT, RO, AP, TO, MA, CE e PI e atua nos eixos da Produção e Extrativismo Sustentável, Processos Industriais, Mercado Institucional e Diferenciados, Organização Social e Produtiva e nos Serviços da Sociobiodiversidade. Estes eixos possuem linhas de ação transversais de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Assistência Técnica e Extensão Rural, Capacitação, Crédito, Fomento e Incentivos Fiscais, Divulgação e Comunicação e Marco Regulatório.

Empreendimentos presentes na Praça da Sociobiodiversidade na ExpoSustentat 2010

CAATINGA

1 – Associação dos Artesões de Santa Brígida – (AASB)
2 – Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira – (APAEB)
3 – Associação de Apicultura do Vale do Capão – (FLOR NATIVA)
4 – Cooperativa da Agricultura Familiar de Apodi – (COOAFAP)
5 – Associação de Produtores de Doces Casadenses – (CASADENSES)
6 – Associação Comunitária de Barreira – (ACB)
7 – Associação Quilombola de Conceição das Crioulas – (AQCC)
8 – Organização Potiguar de Arte, Cultura, Desporto e Meio Ambiente – (Carnaúba Viva)
9 – Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá – (COOPERCUC)
10 – Associação das Mulheres Rurais Sitio Macaúba, Município de Barbalha-CE – (AMRSM)

CERRADO

1 – Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros e Guias Turísticos do Cerrado – (COOPCERRADO)
2 – Cooperativa Central do Cerrado Ltda – (CENTRAL DO CERRADO )

AMAZÔNIA/PANTANAL

1 – Associação dos Artesãos de Novo irão – (AANA)
2 – Associação das Produtora da Artesanato das Mulheres indígenas de Tarauacá e Jordão – (APAMINKTAJ)
3 – Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha – (ASPACS)
4 – Cooperativa de Desenvolvimento Agroextrativista de Energia do Médio Juruá – (CODAEMJ)
5 – Coopbiamio-coop,de biojoia – (COOPBIAMIO)
6 – Cooperativa dos Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia – (COOPERAGREPA)
7 – Associação de Mulheres Agroextrativistas do Alto Cajarí – (AMAC)
8 – Associaçåo Indígena de Barcelos – ( ASIBA)
9 – Cooperativa de Extração de Castanha do Brasil – (CECAB)
10 – Cooperativa Mista da Flona Tapajós – (COOMFLONA)
11 – Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Estado do Acre – (COOPERACRE)
12 – Associação dos Pequenos Agrossilvicultores do Projeto Reca – (PROJETO RECA)
13 – Cooperativa Verde de Manicoré (COVEMA)
14 – Cooperativa Mista de Produtores Agroextrativistas de Laranjal do Jarí – (COMAJA)

PANTANAL

1 – Associação de Mulheres Organizadas Reciclando o Peixe – (AMOR PEIXE)
2 – Ecologia e Ação – (ECOA)

MATA ATLÂNTICA

1 – Cooperativa dos Produtores de Ostras de Cananéia – (COOPEROSTRA)
2 – Cooperativa de Artesanato Miracatu – (BANARTE)
3 – Associação de Pequenos Agricultores de Ginseng de Querência do Norte – (ASPARG)
4 – Associação de Artesãos do Itaimbe Artes – (ITAIMBE ARTES)
5 – Associação dos Agricultores de Três Palmeiras de Garuva – (AATPG)
6 – Instituto de Pesquisas e Aplicação Ambiental e Cultural- ( IPAC)
7 – Associação de Cultura e Educação Ambiental, Grupo de Agricultores Familiares Agroecológicos de Cunha – (SerrAcima)
8 – Associação de Mulheres Artesãs de Ponto Central – Produção Artesanal – (A.M.A)
9 – Amauta – (AMAUTA)
10 – A Mata Atlântica Sustentável – (AMAVEL )

Totalizando (38) Empreendimentos
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Hétel Leepkaln dos Santos – Engenheira Agrônoma, Mestre em Agroecossistemas em Construção Social de Mercado. Trabalha no Departamento de Extrativismo do Ministério do Meio Ambiente e Assessora o Grupo de Coordenação do PNPSB.
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BioFach América Latina e ExpoSustentat 2010: empreendimentos da Agricultura Familiar somam R$ 6,3 milhões.

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