ENTREVISTA NELSON MAMEDE

Nelson Mamede é um executivo de ampla experiência internacional na negociação de contratos comerciais e acordos bilaterais com empresas e governos, tanto no Brasil como no Exterior.

Já ocupou posições de alta liderança nos segmentos da indústria, agronegócio, energia, logística e serviços o que, associado à sua capacidade de gestão, lhe valeu a promoção ao posto de Diretor Superintendente da Petrobrás Comercio Internacional em Londres, Diretor estatutário da Sadia S.A e, a de Diretor Superintendente da Unipar Commerce, em São Paulo.

Mamede foi o responsável pelo Setor Alimentação na Jornada Mundial da Juventure no Rio de Janeiro, quando realizou trabalho voluntário, sem remuneração, junto ao Arcebispo Dom Orani Tempesta e sua equipe do Instituto JMJ RIO.

Saiba o que Nelson Mamede pensa a respeito de temas como fome, má nutrição e desperdício alimentar.

Com novas denúncias de que a fome permanece em índices alarmantes, existe a possibilidade de novos êxodos populacionais?

Sim, infelizmente o que temos visto é o aumento de guerras por causas diversas: politicas, religiosas, expansão territorial, econômicas, epidêmicas e também fatores climáticos, ocasionando como consequência um crescente fluxo migratório humano no mundo. Portanto, esses deslocamentos humanos de grandes proporções quanto mais intensos forem, geram mais fome no mundo. Esta tendência está se confirmando.

Você identificou mudanças na cadeia de alimentos e ou na logística para atender esta demanda nos últimos anos?

Não, essa é a pergunta mais importante neste cenário atual de potencial retomada de crescimento de famintos no mundo. A RESPOSTA DOS PAISES DESENVOLVIDOS até então tem sido de puro marketing, baixa eficiência de resultado e gerando mais problemas do que solução para os carentes. Dado a complexidade do problema em parte é justificável a demora na entrega (distribuição), os tipos de produtos (grãos, farinhas) a serem processados no local, e a logística inadequada praticada até hoje. Porém é imperativa mudança de paradigmas neste atendimento aos necessitados. Ajuda humanitária nem sempre chega aos carentes.

Que perspectivas ONU e FAO apresentam para os próximos anos?

No quadro geral as expectativas são de agravamento da situação, entretanto grandes esforços têm sido feito por ambas as instituições com sucesso em diferentes áreas geográficas do mundo, como por exemplo, a FAO aponta diminuição da fome na região das Américas. Entretanto apesar do trabalho intenso feito por essas entidades e outras dedicadas exclusivamente à caridade universal, entendo que para solucionar de vez este assunto empresas globais realizem que além da caridade existe também um business.

Qual o papel do Brasil como produtor de alimentos neste cenário mundial?

Bom, em principio o Brasil pode tudo. Gostaria de justificar o porquê dessa afirmação tão forte, neste setor especifico – ALIMENTOS – somos hoje uma potência na produção de matérias primas e também de alimentos processados. Estamos produzindo com alta produtividade e produtos de qualidade podendo atender totalmente o mercado doméstico e ainda oferecer toda e qualquer solicitação do mercado externo. Portanto as empresas brasileiras deveriam ver a situação acima descrita como oportunidade.

Segundo a FAO cerca de um terço da comida produzida em todo o mundo – equivalente a 1,3 bilhão de toneladas – é desperdiçado durante as etapas de produção e de consumo; De que maneira a logística poderia contribuir para mudar este cenário?

Em termos de logística somos bem fracos, na verdade estamos piorando (tipo seleção brasileira de futebol), conforme números recentes divulgados em artigo repassado pela ABAG* o país piorou em logística no ranking mundial. Para o Brasil especificamente mesmo tendo uma logística atual sofrível é possível diminuir este quadro de perda, repito diminuir – jamais eliminar, caso venhamos a quebrar um paradigma. Neste momento é segredo.

É possível conciliar produção, logística e nutrição?

Sim, toda a exposição dos fatos acima e as propostas de solução destes problemas na prática, consta de um projeto por mim elaborado para a Arquidiocese do Rio de Janeiro neste ano considerado – Ano da Caridade 2014.

Com a autorização e coordenação do Padre Manangão, presidente da Caritas do Rio de Janeiro, estaremos pondo em prática um teste piloto em algumas comunidades cariocas. Este modelo com mudança de paradigma uma vez comprovada sua eficiência será aplicado em todo o Brasil. Com o projeto testado e aprovado no Brasil a etapa seguinte deverá ser aplicado no exterior, para tanto estou em contato com empresas brasileiras (no momento não posso divulgar nomes) que venham participar conosco nesta empreitada.

Contatos: nelsonmamede@globo.com, (21) 3439-1129 e (21) 98443-4092.

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*ANEXO I_LOGISTICA

Brasil cai 20 posições em ranking de logística

País desabou do 45º para o 65º posto, entre 160 países, na infraestrutura de transporte

Alexa Salomão e Altamiro Silva Júnior

NOVA YORK - O Brasil caiu 20 posições no ranking mundial de logística do Banco Mundial (Bird), que mede a eficiência dos sistemas de transporte em 160 países. O relatório, divulgado nesta quinta-feira, leva em conta a percepção dos empresários em relação à eficiência da infraestrutura de transporte. O Brasil passou a ocupar o 65.º lugar no ranking. Trata-se da pior colocação desde que o ranking foi lançado, em 2007.

Paulo Fleury, diretor-geral do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), define o resultado como “desastroso” para o País. “A hora da verdade chegou: o Brasil investiu bilhões em obras de infraestrutura de transporte que, por problemas de gestão, não foram terminadas, e está aí o resultado.”

Na avaliação de Fleury, o fato de o estudo não medir os avanços ou retrocessos físicos, mas a percepção dos empresários, é sintomático. Pouca coisa mudou na infraestrutura do País nos últimos anos, mas a posição do Brasil no ranking foi se alterando. Em 2007, quando a pesquisa foi lançada, o Brasil ocupava o 61.º lugar. Em 2010, ficou na sua melhor colocação: 41.º posto. Em 2012, caiu para a 45.ª posição. De lá para cá, despencou para a sua pior colocação.

Fleury atribui as oscilações às mudanças nos cronogramas das obras. “Quando a primeira pesquisa foi realizada, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) havia acabado de ser lançado e a expectativa de melhora empurrou o indicador para cima por um tempo”, diz Fleury. “Como as obras não saem do papel, mas a demanda por transporte aumenta, estrangulando o sistema, a frustração só fez aumentar e nem as concessões no ano passado conseguiram melhorar os ânimos.”

Levantamento do Ilos mostra que o atraso médio nas obras do PAC é de 48 meses. Há também enorme descompasso entre o custo orçado e o custo que se viu na prática. O aumento médio foi de 85%.

Muitas deficiências. O Banco Mundial também divulgou a classificação dos países em seis itens específicos na área de logística e transporte, usados em conjunto para determinar a classificação geral. O segmento que o Brasil está mais bem colocado é na “qualidade e competência logística” (50.ª posição) e o pior no “serviço de aduanas e alfândegas” (94.ª). Na categoria “rastreamento e monitoração” está na 62.ª e, nas “entregas internacionais”, na 81.ª.

Outros países da América Latina estão em posições bem melhores que a do Brasil, como Chile (42.º lugar, o melhor classificado da região), México (50.º) e Argentina (60.º).

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