Ecos da BioFach 2010 em Nuremberg

Planeta Orgânico

Mais consumidores vêm focando cada vez mais em qualidade e valores. Uma base para esta demanda é o produto orgânico, que acompanha também as condições de mercado conhecidas como “comércio justo”. Na BioFach de 2010, na Alemanha, houve um setor dedicado ao tema Organic+Fair com 52 expositores e mais de 100 produtos presentes.

Entre os expositores estava o brasileiro IBD, apresentando o selo Ecosocial. Estas diretrizes, segundo o web site do IBD, são “baseadas nas normas da Organização Internacional do Trabalho, na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Declaração Universal dos Direitos da Criança”.

No Brasil, o tema do comércio justo já faz parte de grandes redes. A Mega- Matte, que possui 41 pontos de venda apenas na cidade do Rio de Janeiro, incluiu tema na linha de seus produtos, principalmente o mate. Esta iniciativa foi primada este mês pelo jornal O Globo, onde a diretora do MegaMatte destacou a parceria do programa com o Sebrae.

Itaipu leva produtos e projetos da agricultura orgânica à Alemanha

A Itaipu Binacional participou BioFach, mostrando, no pavilhão do Brasil, o Projeto Água Boa. A iniciativa, que integra o programa de Agricultura Orgânica da empresa, está promovendo a transição de propriedades agrícolas familiares, que modificam sua forma de produção convencional para orgânica, nas regiões em torno da represa de Itaipu.

No Projeto Água Boa, há cerca de 1000 famílias de agricultores orgânicos ou em conversão, organizados em 18 associações, duas cooperativas e sete pré-associações. A iniciativa, que inclui ações de capacitação, também se estende a 25 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná. O Água Boa se dedica ainda ao desenvolvimento de uma rede de assistência técnica e extensão rural para atender às necessidades dos produtores orgânicos, envolvendo questões de conhecimento, apoio e incentivo. Além disso, o projeto contempla a realização da feira Vida Orgânica, para a promoção de negócios em torno do consumo consciente.

No estande da Itaipu Binacional na BioFach foram apresentadas: plantas medicinais desidratadas, abacaxi em calda, doce de frutas (banana, abóbora e uva), geléia de pimenta, compota de figo, suco de uva, arroz (integral, branco e cateto), farinha de fubá, farinha integral de trigo e farinha de centeio. Representada pelos diretores e gestores do projeto, participaram Nelton Miguel Friedrich (diretor de Meio Ambiente da Itaipu Binacional); Jair Kotz (superintendente de Meio Ambiente); João José Passini (gestor do Projeto Regional de Agricultura Orgânica), entre outros participantes e produtores.

Atualmente, 26 técnicos estão à disposição dos produtores atendidos. Eles são oriundos das instituições parceiras, como a Capa (Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor), a Biolabore, o Instituto Maytenus, a Emater e a Sustentec (Produtores Associados para o Desenvolvimento de Tecnologias Sustentáveis).

Durante a abertura do 6º Encontro Cultivando Água Boa, 96 merendeiras receberam a premiação pelo segundo concurso de receitas saudáveis desenvolvido nas escolas e centros municipais de educação infantil dos municípios que compõem a Bacia do Paraná 3 (BP3). “É magnífico ver que o programa se transformou num movimento; que deixou de ser apenas um programa”, enfatizou o diretor de coordenação da Itaipu, Nelton Miguel Friedrihs.

Agricultura orgânica no mundo

De acordo com as estatísticas publicadas pela International federation Organic Agriculture Moviment, IFOAM e o Resarch Institute of Organic Agriculture, FiBL, existem 35 milhões de hectares com produção orgânica certificada, distribuídos nos 154 países.

Foram consultados 180 países, sendo que 154 países responderam as questões e 141 países consolidaram seus dados. Ou seja, 86 % de todos os países do mundo já possuem a agricultura orgânica como setor da economia.

A Austrália tem a maior área, são 12 milhões de hectares, em segundo a Argentina com 4 milhões, seguidos da China com 1,85, Estados Unidos da América com 1,82 e o Brasil com 1,77 milhões de hectares.

A agricultura orgânica na Oceania representa 2,8 % da terra produtiva de todo o continente. Toda a Europa tem 1,7 % e a América Latina tem 1,3 % de toda a sua área agrícola. No entanto alguns países como a Áustria possui 15,9 % de toda a sua terra já certificada. A Suíça tem 11,1 % e a Suécia tem 10,8 %. Outro país que esta em crescimento é a Itália, que já possui 7,9 % de toda sua área com agricultura orgânica.

O crescimento da área certificada com agricultura no mundo entre 2007 e 2008 foi de 9,0 %, a América latina foi o continente que mais cresceu 25,7 %. A Europa apesar de representar o maior mercado, cresceu 7,2 %, ficando abaixo da Ásia que cresceu 14 % e os Estados Unidos 11,5 %.

O mercado global de produtos orgânicos cresceu 235 % entre 1999 e 2008, uma taxa média de 21 % ao ano. O mercado dos países da união européia representa 51 % do movimento e o mercado dos Estados Unidos da América tem 46 %, os demais países somam os restantes 3 % do movimento financeiro do mercado.

Seminário agricultura familiar no Brasil

“Brazilian Family Farming – Brazilian Social Footprint”

O Seminário “Brazilian Family Farming – Brazilian Social Footprint”, foi realizado no dia 16 de fevereiro de 2010, um dia antes das atividades da BioFach em Nuremberg, Alemanha.

O seminário trouxe um panorama da Agricultura Familiar e o grande avanço nos últimos anos da agricultura orgânica no Brasil. O Brasil apresentou 1,7 milhões de hectares nas estatísticas oficiais do Congresso da IFOAM e certamente a área de produção proveniente da agricultura familiar ocupa mais do que a metade.

No primeiro painel “Mega sociobiodiversidade”, diretora de extrativismo do Ministério do Meio Ambiente, Claudia Calório, apresentou a importância da sócio biodiversidade para o setor orgânico. Ressaltou que o Brasil possui 304 Unidades de conservação sendo 131 estaduais e 173 com gestão conjunta do estado com as comunidades moradoras.

Além disto, existem 879 áreas divididas em reservas extrativistas, 59, reservas sustentáveis, 1, territórios nativos, 611, projetos agroextrativistas, 106 e 97 projetos de sustentabilidade. Estas áreas somam 123,7 milhões de hectares.

O representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário, diretor de Geração de Renda e Agregação de Valor, Arnoldo Campos, apresentou o atual cenário da Agricultura Familiar no Brasil e seu grande potencial de produção e abastecimento de alimentos.

Dos 330 milhões de hectares produtivos no Brasil, 80 milhões são da agri- cultura familiar e 249,7 milhões são de grandes propriedades rurais. No entanto, apesar da agricultura familiar representar 24,3 % da área total, é responsável por gerar 54 bilhões de reais enquanto que as grandes propriedades responsáveis por 75,7 %, é possível gerar apenas 89 bilhões.

Outro dado importante é a relação de geração de empregos no campo, enquanto a agricultura familiar tem 15,3 pessoas por hectare, nas grandes propriedades tem uma relação de apenas 1,7 pessoas por hectare. Considerando o valor da produção e o numero de trabalhadores, a agricultura familiar rende R$ 677,00 por hectare por ano contra R$ 358,00 por hectare por ano da agricultura em larga escala.

O coordenador geral de Planejamento e Implantação de Projetos do MDA, Sr. José Ademar Batista, apresentou a evolução da agricultura orgânica nos agricultores familiares. Ressaltou a inserção dos produtos nos mercados interno e externo.

O painel “Agricultura Familiar e Oportunidades de Negócios”, trouxe o tema da Agricultura Familiar e a copa do mundo 2014 que será realizada em diversas capitais do país. Foram levantadas as oportunidades de negócios e parcerias que podem ser realizadas no setor de alimentos e bebidas orgânicas.

Alem disto foi apresentado, pelo Sr. Arnoldo Campos, a parceria já em andamento entre o MDA e o Ministério dos Esporte e o Ministério do Turismo, que através do Projeto Talentos do Brasil Rural, pretendem inserir os produtos e serviços da agricultura familiar no mercado. Esta parceria fortalecerá a relação entre a agricultura familiar e as atividades turísticas no Brasil.

O Planeta Orgânico, apresentou pela sua diretora Maria Beatriz Martins Costa, o histórico das feiras BioFach América Latina, que desde 2003, vem crescendo de forma significativa, tanto no numero de participantes como no volume de negócios realizados. A apresentação destacou o novo cenário de fornecimento de alimentos orgânicos nas merendas escolares, que através da Lei no 11.947, de junho de 2009 e também as oportunidades de negócios que a Copa 2014 e Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro trarão para os setores orgânico e sustentável.

Sylvia Waschner, coordenadora do projeto Organics Net e o Ming Liu, coordenador do projeto Organics Brasil, apresentaram as respectivas redes de empresas que participam no desenvolvimento de vários produtos e na articulação de colocação dos produtos nos mercados internos e externo.

Com o tema “Oportunidades de Negócios do Brasil Sustentável”, Ingo Melchers, GTZ, trouxe a visão da cooperação Brasil Alemanha. A GTZ está no Brasil desde 1960 e tem sido um parceiro fundamental para consolidação de iniciativas que promovem valor agregado das cadeias produtivas, como as salas regionais “Andes-Amazônia” e “Caatinga- Cerrado” que acontecem dentro da ExpoSustentat. Entre outras ações, a GTZ busca fortalecer as capacidades negociação de agricultores e extrativistas, sua organização social e produtiva.

O seminário ainda teve apresentações sobre o marco legal da Agricultura Orgânica no Brasil por Fabio Ramos, diretor da Agrosuisse, empresa especializada no desenvolvimento da cadeia de produtos orgânicos.

Jussara Dantas, apresentou o caso da Cooperativa COPPERCUC (Cooperativa Agropecuária de Canudos, Uáuá e Curaçá) que reúne 104 produtores cooperados, sendo que são 300 famílias envolvidas no projeto. A COOPERCUC fez sua primeira exportação para Áustria em 2008 e tem grandes expectativas para 2010 com desenvolvimento de novos produtos (caldas para sorvetes, frutas frescas e polpas)

A COOPALJ, Cooperativa Dos Pequenos Produtores Agroextrativistas De Lago Do Junco Ltda., no estado do Maranhão, mostrou através de Valdener Miranda, o trabalho desenvolvido junto a diversas comunidades com produtos do babaçu. São diversos sub produtos como óleo, farinha, artesanatos e outros. Foi ressaltado o valor funcional do babaçu para a saúde.

O Embaixador do Brasil na Alemanha, Embaixador Everton Vargas, fez o encerramento do Seminário, trazendo o apoio da Embaixada do Brasil na Alemanha, assim como do Governo Brasileiro, para iniciativas comprometidas com a sustentabilidade e a valorização dos serviços ambientais. O Embaixador Everton Vargas é profundo conhecedor das questões ambientais, tendo participado ativamente na Eco 92 no Rio de Janeiro, e desde então, vem acompanhando de perto as oportunidades e desafios que este tema oferece.
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