COCO CONVENCIONAL X COCO ORGÂNICO: A DIFERENÇA PARA A SUA SAÚDE

Elaborado com base em trabalhos científicos e outros
documentos publicados pela Embrapa Tabuleiros Costeiros,
a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA e o
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA,
referenciados ao final do documento.

O coqueiro é uma rica fonte de alimento para os seres humanos, mas, também, para diversas espécies de insetos e ácaros, que uma vez instalados na planta são hospedeiros específicos da folhagem, das flores, dos frutos, do estipe ou das raízes.

Quando os coqueiros são plantados em grandes extensões de área (monoculturas), e manejados de forma convencional, não orgânica, esses organismos se proliferam de forma intensa, tornando-se pragas poderosas que causam danos aos coqueiros, que variam de atraso no desenvolvimento, perda ou atraso na produção, à morte da planta.

A seguir é apresentada uma lista contendo as principais pragas que atacam os coqueirais ao longo de apenas um ano:

1. Broca-do-olho-do-coqueiro ou bicudo Rhynchophorus palmarum Linnaeus, 1764 (Coleoptera: Curculionidae)

2. Broca-do-estipe, broca-do-tronco ou rhina Rhinostomus barbirostris Fabricius, 1775 (Coleoptera:Curculionidae)

3. Broca-do-pedúnculo-floral-do-coqueiro Homalinotus coriaceus Gyllenhal, 1836 (Coleoptera:Curculionidae)

4. Broca-do-pecíolo ou broca-da-ráquis foliar Amerrhinus ynca Sahlberg, 1823 (Coleoptera:Curculionidae)

5. Broca-da-coroa-foliar; broca-do-dendezeiro Eupalamides daedalus Cramer, 1775 (Lepidoptera:Castniidae)

6. Lagarta-das-folhas, Brassolis sophorae (Linnaeus, 1758) (Lepidoptera: Nymphalidae)

7. Barata-do-coqueiro ou falsa-barata-do-coqueiro Coraliomela brunnea Thumberg, 1821 (Coleoptera: Chrysomelidae) e Mecistomela marginata Thumberg, 1821 (Coleoptera: Chrysomelidae)

8. Traça das flores e frutos novos, Hyalospila ptychis Dyar, 1919 (Lepidoptera: Phycitidae)

9. Gorgulho-das-flores-e-dos-cocos-novos Parisoschoenus obesulus Casey 1922 (Coleoptera: Curculionidae)

10. Ácaro-da-necrose-do-coqueiro Aceria guerreronis Keifer, 1965 (sin. Eriophyes) (Acari: Eriophyidae) e Ácaro da mancha-anelar do coqueiro Amrineus cocofolius, Flechtmann, 1994 (Acari: Eriophyidae)

11. Cochonilha transparente, Aspidiotus destructor Signoret, 1869 (Homoptera: Diaspididae)

12. Pulgão-preto-do-coqueiro – Cerataphis lataniae Boisduval, 1867 (Homoptera: Aphididae) .

13. Raspador-do-folíolo, Delocrania cossyphoides Guérin, 1844 (Coleoptera: Chrysomelidae)

14. Broca-do-bulbo, Strategus aloeus (Linnaeus, 1758) (Coleoptera: Scarabaeidae)

15. Lagarta desfolhadora, Opsiphanes invirae

16. Lagarta verde do coqueiro, Synale hylaspes

17. Ácaro vermelho, Tetranychus mexicanus

18. Ácaro da folha, Retracrus johnstoni

Fonte: FERREIRA (2002).

Para manter a sua rentabilidade elevada as propriedades que empregam práticas culturais convencionais em seus coqueirais se utilizam de um grande número de defensivos químicos (agrotóxicos) no combate a essas pragas.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA os agrotóxicos podem ser divididos, quanto ao modo de ação, entre sistêmicos e de contato. Os sistêmicos são aqueles que, quando aplicados no coqueiro, circulam através da seiva por todos os tecidos vegetais, de forma a se distribuir uniformemente e ampliar o seu tempo de ação. Os de contato são aqueles que agem externamente no coco e no coqueiro, tendo necessariamente que entrar em contato com a praga. Contudo, mesmo os de contato são também, em boa parte, absorvidos pelo coqueiro e pelo coco, penetrando em seu interior através de suas porosidades. Uma lavagem dos cocos em água corrente só poderia remover parte dos resíduos de agrotóxicos presentes na superfície dos mesmos. Os agrotóxicos sistêmicos, e uma parte dos de contato, por terem sido absorvidos por tecidos internos do coqueiro, caso ainda não tenham sido degradados pelo próprio metabolismo do vegetal, permanecerão no coco e nos alimentos deles derivados. Neste caso, uma vez contaminados com resíduos de agrotóxicos, estes alimentos levarão o consumidor a ingerir resíduos de agrotóxicos.

INSETICIDAS E ACARICIDAS USADOS PARA CONTROLE DAS PRAGAS DO COQUEIRO

Na tabela a seguir estão relacionados os inseticidas e acaricidas mais comumente usados para controlar a ação das pragas na cultura do coqueiro, segundo a Embrapa, que adverte que o uso de produtos clorados ou com moléculas de cloro estão proibidos em quase todo o mundo, por se tratar de produtos extremamente perigosos para o homem e para o meio ambiente, mas que ainda são em grande parte empregados no Brasil.

Tabela – Inseticidas e acaricidas usados para controle de pragas da cultura do coqueiro.

Fonte: Adaptado de Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2007.

QUAIS SÃO OS RISCOS DE SE CONSUMIR PRODUTOS DERIVADOS DE COCOS CULTIVADOS COM AGROTÓXICOS?

Conforme a ANVISA, estudos científicos comprovam que se ultrapassarmos as quantidades diárias aceitáveis para consumo de agrotóxicos, as conseqüências poderão variar desde sintomas simples, como dores de cabeça, alergia e coceiras, até distúrbios do sistema nervoso central ou câncer, nos casos mais graves de exposição, como é o caso dos trabalhadores rurais.

Coco ralado, leite de coco e água de coco, entre outros alimentos obtidos do coco, podem conter resíduos de agrotóxicos, caso não tenham sido tomados os tratos culturais recomendados.

No caso específico do óleo de coco esse risco é potencializado, uma vez que para se obter apenas 1 litro é necessária a prensagem da polpa branca (amêndoa) de dezenas de cocos secos e maduros. Se os cocos que fornecem a polpa para a extração do óleo forem provenientes de coqueirais convencionais, muito provavelmente receberam grande carga de agrotóxicos de contato e sistêmicos que, se não tiverem sido cultivados com extremo rigor e acompanhamento técnico (o que é raro nos coqueirais dos países asiáticos ou mesmo do Nordeste brasileiro), poderão conter resíduos extremamente tóxicos para o ser humano, conforme advertem a Embrapa e a ANVISA. Basta um único coco com resíduos para contaminar todo o óleo.

COMO ELIMINAR O RISCO DE SE CONSUMIR ALIMENTOS PROVENIENTES DO COCO CONTAMINADOS POR AGROTÓXICOS?

Segundo recomenda a ANVISA deve-se optar por alimentos orgânicos certificados, que não utilizam fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos no seu cultivo, não degradam os recursos naturais e valorizam o pequeno trabalhador rural. A orientação é procurar consumir produtos com a origem identificada e de preferência nacionais, pois possibilita o controle pelas autoridades governamentais brasileiras, aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com a adoção das boas práticas agrícolas, e garante condições para que o consumidor possa exigir os seus direitos de consumidor, caso necessário.

Água ou óleo de coco produzidos de forma orgânica com cocos saudáveis, cultivados segundo rigorosos padrões orgânicos e certificados por instituição idônea reconhecida internacionalmente, estão completamente livres desse risco, só promovendo bem estar e benefícios à saúde de quem os consome e, ainda, sem prejudicar a saúde dos trabalhadores rurais, a qualidade das águas, a fauna ou a flora. Além disso, são alimentos mais ricos em nutrientes, saborosos e estáveis, excelentes para o consumo direto.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre as vantagens do coco orgânico nacional sobre o convencional ou o importado, pense bem antes de escolher a sua água ou óleo de coco, afinal, eles só devem promover saúde para você, gerar emprego e renda no Brasil e não comprometer a vida dos outros ou a do Planeta.

Brasília-DF, 25 de setembro de 2009.

Fontes de Referência e Pesquisa

http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Coco/ACulturadoCoqueiro/pragas.
htmhttp://www.anvisa.gov.br/toxicologia/monografias/index.htm
http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/home/agrotoxicotoxicologia
http://www.ibd.com.br/
http://www.prefiraorganicos.com.br/oquesao.aspx
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