Entrevista com Cristina Ribeiro (ABIO) sobre o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas

Cristina Ribeiro, socióloga da equipe técnica da ABIO, é a responsável pelo Circuito Carioca de Feiras Orgânicas. Saiba mais sobre esta iniciativa que está conquistando os cariocas e promovendo agricultura orgânica do Estado do Rio de Janeiro. 

1 - Como surgiu a idéia do Circuito Carioca de Feira Orgânicas?

A idéia do Circuito surgiu há cerca de três anos, após uma série de encontros realizados pela ABIO nos seus Núcleos de Produtores. Nos encontros, a comercialização, ao lado da assistência técnica, se apresentava como a grande demanda dos nossos associados. Os debates foram evoluindo, tanto nos Núcleos quanto no Grupo de Trabalho de Comercialização da CPOrg/RJ (Comissão da Produção Orgânica do Estado do Rio de Janeiro), no sentido de um retorno às origens da agricultura orgânica, quando a comercialização era feita diretamente entre o produtor e o consumidor. A venda direta é, aliás, um dos princípios da agricultura orgânica e, também, do comércio justo e solidário.Há um ano, encontramos na SEDES – Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico Solidário – a parceria de que precisávamos na Prefeitura do Rio, para transformar o projeto do Circuito em realidade.

2 – Que feiras do Circuito Carioca já estão sendo realizadas, em que dias e onde?

Fazem parte do Circuito:
- Feira Orgânica do Bairro Peixoto: sábados, na Praça do Bairro Peixoto (Edmundo Bitencourt).
- Feira Orgânica de Ipanema: terças feiras, na Praça Nossa Senhora da Paz, do lado da Barão da Torre.
As feiras funcionam sempre das 8 às 14 horas.

3- Como tem sido o retorno do público com as Feiras do Circuito Carioca?

Posso dizer que as feiras são uma unanimidade. Temos registrado as opiniões dos consumidores, que expressam enfaticamente sua satisfação e o desejo de que as feiras orgânicos se consolidem; e muitos, muitos pedidos para que feiras orgânicas do Circuito se realizem em outros bairros. Essa acolhida dos consumidores tem feito com que os agricultores se sintam reconhecidos pelo seu trabalho, e estimulados a continuá-lo e a trazer outros produtores para a agricultura orgânica.

4-O que ainda falta para impulsionar o mercado orgânico no Estado do Rio de Janeiro?

Acredito que o próximo passo deverá ser a implantação de um entreposto de produtos orgânicos, em cujo projeto a ABIO vem trabalhando já há algum tempo. Um pequeno atacado, onde a diversidade da produção orgânica do Estado do Rio de Janeiro possa ser disponibilizada para varejistas e restaurantes, representaria um salto de qualidade não só na comercialização, como na produção orgânica.. O entreposto é fundamental, também, para o abastecimento dos mercados institucionais (por exemplo, a alimentação escolar).

5- Qual o cenário atual da agricultura orgânica no Estado do Rio de Janeiro e qual o seu potencial?

Na minha opinião, o grande diferencial da agricultura do nosso estado deve ser a qualidade dos produtos: do campo fluminense deveriam sair alimentos que preservem a saúde das pessoas que os consomem, e das pessoas que, com seu trabalho, os produzem; alimentos produzidos em harmonia com a natureza, recuperando o meio ambiente e a beleza das nossas paisagens; alimentos que preservam a qualidade de vida dos agricultores que, assim, podem permanecer no campo com dignidade. Nesse sentido, acredito muito na capacidade de a agricultura orgânica se generalizar no Estado do Rio de Janeiro; creio que essa é a nossa vocação.

6- Que ações a ABIO vem desenvolvendo no Estado do Rio de Janeiro?

A ABIO atua em duas áreas. A primeira é a implantação do Sistema Participativo de Garantia (SPG-ABIO) como mecanismo de garantia da qualidade orgânica dos produtos. A segunda é o apoio à comercialização. Como entidade de ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) credenciada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, adotamos metodologias que buscam integrar os aspectos da produção e da comercialização, visando não só a viabilização econômica dos agricultores, como a sua realização individual, cultural e social. Claro que damos conta apenas de uma pequena parte do que há por fazer, mas contamos com parceiros valiosos, como a EMBRAPA/AGROBIOLOGIA, a PESAGRO-RIO, a EMATER-RIO, o SEBRAE e várias Prefeituras do interior do estado.

7- Em que bairros serão as próximas Feiras do Circuito Orgânico?

A partir de 2 de setembro: Feira Orgânica do Leblon, às quintas feiras, na Praça Antero de Quental.
A partir de 4 de setembro: Feira Orgânica do Jardim Botânico, aos sábados, na Praça da Igreja São José da Lagoa. Sempre das 8 às 14 horas.

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