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18 de Setembro 2018

 

Bioeconomia e Orgânicos nos 20 anos da Feira Merco Noroeste

De 23 a 25 de agosto, foi realizada em Itaperuna, RJ, a vigésima edição da Merco Noroeste. O evento é um dos principais encontros de negócios do estado do Rio de Janeiro com enfoque nos treze municípios da região noroeste fluminense. Sustentabilidade e alimentação saudável estiveram como destaques na programação. Na feira, expositores de cafés especiais, produtos orgânicos e artesanatos venderam ao público presente, além de universidades, comércio e serviços regionais.

Na 6ª feira, dia 24, Marília Faria, do Sebrae, e Alvaro Werneck, do Green Rio, apresentaram o tema da bioeconomia. Além das palestras, houve uma conversa com participantes a respeito do conceito, assim como suas aplicações em diferentes campos de trabalho. A experiência na Alemanha também foi exposta, como um dos países pioneiros na economia verde.

No sábado, 25, foi realizado o Seminário de Comercialização da Produção Orgânica no Noroeste Fluminense, incluindo o tema ‘Comércio Justo e Economia Solidária na Construção do Circuito Carioca de Feiras Orgânicas do Rio de Janeiro’. Durante o Seminário aconteceu o lançamento da marca do Circuito Noroeste de Feiras Orgânicas.

O lixo produzido durante o evento foi descartado de forma correta através de parceria com o Projeto #MovimentoColetaSeletivaSolidária. Foram instalados coletores de recicláveis e todo óleo de cozinha usado também foi recolhido.

Fonte: Planeta Orgânico / Itaperuna News

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Pesquisa sobre comercialização de orgânicos no Estado do Rio de Janeiro

Uma pesquisa está em andamento com o objetivo entender quais são os fatores que facilitam ou dificultam a produção e venda de alimentos orgânicos no estado do Rio de Janeiro. A coordenação é do Professor Marcos Cohen, da PUC Rio/IAG

O questionário deve ser preenchido, de preferência, pelo dono do negócio que vende alimentos orgânicos. O tempo total para preenchimento é entre 10-15 minutos. Na impossibilidade do dono responder, um gerente experiente do negócio poderá fazê-lo.

Os participantes da pesquisa não terão seus nomes nem seus dados divulgados, pois a pesquisa tratará as respostas de forma agregada.

Ao clicar no link abaixo, o respondente encontrará uma primeira página explicando em maior detalhe a pesquisa:
https://pt.surveymonkey.com/r/WCTSNKF

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Conexão Mata Atlântica: Inscrições prorrogadas

Propriedade rural com cultivo de café e remanescentes florestais protegidos por meio da criação de Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN. Varre-Sai, RJ.

Foi prorrogado, até dia 31 de agosto, o prazo de inscrições para proprietários e produtores rurais de seis microbacias das regiões hidrográficas do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana e Médio Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro, participarem do projeto Conexão Mata Atlântica. A iniciativa valoriza e recompensa, por meio do mecanismo financeiro de incentivo por Prestação de Serviços Ambientais (PSA), os agricultores que adotam ações de conservação de floresta nativa, restauração ecológica e implementam práticas agrícolas para conversão produtiva de áreas degradadas ou de baixa rentabilidade econômica e ambiental.

O projeto contemplará propriedades localizadas em áreas estratégicas para a manutenção dos fragmentos florestais de Mata Atlântica e dos recursos hídricos. No Noroeste fluminense, o projeto abrange os municípios de Italva (microbacia Córrego Coleginho/Olho D’água), Cambuci (microbacias Valão Grande, Córrego Caixa D’água/Valão Grande II), Varre-Sai (microbacia Varre-Sai) e Porciúncula (microbacia Ouro). No Sul do estado, o projeto atende os municípios de Barra do Piraí e Valença (microbacia do Rio das Flores).

Inscrições

Até o momento, mais de 250 proprietários e produtores rurais das regiões atendidas já manifestaram interesse em participar do projeto Conexão Mata Atlântica. A equipe executora do projeto vem prestando assistência a todos os interessados para a organização da documentação, assim como para o desenvolvimento dos planejamentos de campo que já somam mais de 60 Planos de Ação. Estes planos indicam as áreas e ações a serem trabalhadas nas propriedades e resultarão, desde de que sejam corretamente implantadas as práticas e ações previstas, no recebimento de recursos para investimento nos negócios rurais.

Com a mudança no prazo de inscrições, os agricultores que deram início ao processo de seleção passam a contar com mais tempo para a apresentação da documentação pendente e elaboração do Plano de Ação. Além de permitir que outros interessados enviem suas propostas.

Como participar – Os proprietários e produtores rurais interessados em se beneficiar do projeto podem procurar as unidades executoras locais para obterem informações e assistência técnica sobre a documentação necessária e a elaboração da proposta técnica.

O projeto oferece suporte técnico durante todo o processo de inscrição, desde a emissão do Cadastro Ambiental Rural (CAR), um dos documentos exigidos pela seleção pública, até o desenvolvimento do Plano de Ação.

Confira o edital ou acesse pelo site www.inea.rj.gov.br/conexaomataatlantica

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Green Rio, a bioeconomia e os pequenos negócios

Por José Vitor Bomtempo
Pesquisador associado e Professor e Pesquisador da Pós-graduação da Escola de Quimica/UFRJ

O Green Rio, um evento anual que teve sua primeira edição em 2012, por ocasião da Rio+20, já se tornou tradicional no Rio de Janeiro. Nos últimos anos, o evento ganhou uma nova perspectiva, a de encontro de referência da bioeconomia no Rio de Janeiro. Isso pode ser visto pela programação do Green Rio 2018, realizado nos dias 24, 25 e 26 de maio, na Marina da Glória, Rio de Janeiro. O evento está ocupando duas lacunas importantes na construção da bioeconomia no Brasil.

A primeira lacuna é a quase ausência do Rio de Janeiro no debate e nos eventos relacionados à bioeconomia. Concentrando universidades e centros de pesquisas importantes, o Rio poderia ter uma presença muito mais importante no desenvolvimento da bioeconomia, tanto do ponto de vista nacional quanto regional.

O Rio de Janeiro pode vir a ser um centro de encontros e debates sobre a construção da bioeconomia. Na edição recente do Green Rio, a exemplo do que já tinha ocorrido em 2017, foi realizado um fórum Brasil – Alemanha em que atores chave das inovações em bioeconomia dos dois países tiveram a oportunidade de apresentar e comparar suas visões, abrindo um espaço de discussão para projetos de cooperação.  O German Brazilian Bioeconomy Workshop explorou, numa programação paralela e com a presença de experts convidados do Brasil e da Alemanha, três temas centrais da bioeconomia:  Phenotyping and plant breeding, Industrial use of renewable resources, Biological pest control. Os resultados dessas discussões bilaterais serão explorados como base para projetos de cooperação entre os dois países em projetos de pesquisa e inovação.

A segunda lacuna refere-se à bioeconomia como vetor de desenvolvimento regional e de oportunidades para os pequenos negócios. Afinal, a saída da crise atual do Rio de Janeiro nos leva a buscar novas oportunidades de desenvolvimento compatíveis com as transformações tecnológicas e sociais que vivemos neste século. A bioeconomia poderia fazer parte desse processo e ser uma fonte de dinamismo econômico, social e ambiental.

A perspectiva da bioeconomia como oportunidade para recuperação do Rio de Janeiro foi explorada numa tese de doutorado defendida recentemente no PPE, Programa de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ. A tese Planning The Transition Of Brazilian Sugarcane Mills To Advanced Biorefineries Using A Methodological Proposal Based On The Industrial Symbiosis Approach, elaborada por Victoria Emilia Neves Santos, explorou como estudo de caso o potencial das biorrefinarias no norte fluminense, região tradicional da cana de açúcar, hoje praticamente estagnada. A tese mostra como as biorrefinarias, elemento central da bioeconomia, podem ser estruturadas, a partir do conceito de simbiose industrial, como uma fonte de dinamismo econômico, social e ambiental. Uma síntese da tese pode ser vista no artigo Biorefining and industrial symbiosis: A proposal for regional development in Brazil.

A bioeconomia como vetor de desenvolvimento regional está fortemente ligada a um tema muito caro ao Green Rio que são as oportunidades para os pequenos negócios. A valorização das oportunidades da bioeconomia para as micro e pequenas empresas é uma perspectiva que o SEBRAE tem procurado valorizar nos últimos anos e que é central no Green Rio. Muitos painéis e iniciativas como o concurso de startups tiveram esse foco no Green Rio 2018.

Se tomarmos como ponto de partida que a bioeconomia envolve a produção e utilização inovadora e sustentável dos recursos biológicos renováveis (biomassas), sem esquecer, como nos adverte a economia circular, da utilização inovadora dos resíduos gerados nos processos, o leque de oportunidades à disposição dos empreendedores é quase inesgotável. Há certamente desafios na estruturação desses negócios. Essa relação entre desafios e oportunidades para os pequenos negócios foi o tema do painel que o nosso GEBio, Grupo de Estudos em Bioeconomia da Escola de Química/UFRJ, apresentou no Green Rio.

Esse painel representou a primeira iniciativa do GEBio para discutir a bioeconomia na perspectiva dos pequenos negócios. Os pontos de partida foram a própria definição de bioeconomia e a identificação das dimensões básicas da estruturação dos negócios inovadores na exploração dos recursos biológicos renováveis: matérias-primas, tecnologia, produtos e modelos de negócios. Essa base conceitual serviu de referência para a discussão de alguns exemplos de oportunidades (e seus desafios) em biogás, cadeia dos plásticos/economia circular, e cosméticos. Por fim, Victor Ferreira, gerente do SEBRAE Nacional, apresentou a linha de atuação do SEBRAE em bioeconomia.

No termo de referência definido pelo SEBRAE para sua atuação em bioeconomia são identificadas oportunidades na extração e produção de matérias-primas e em diversos segmentos industriais: alimentos e bebidas, higiene e cosméticos, bioenergia, indústria têxtil e modas, bioplásticos e embalagens. O SEBRAE Nacional já apoiou 21 projetos em 14 estados, envolvendo 2.608 empresas e recursos de cerca de R$ 12 milhões. Nesses projetos predomina o segmento de alimentos orgânicos. A iniciativa SEBRAE em bioeconomia é recente e apenas uma pequena parte do potencial existente foi explorada. Muitas oportunidades estão à espera das iniciativas dos empreendedores.

Cabe a nós, envolvidos com os estudos em bioeconomia, procurarmos entender esse processo e contribuirmos para caracterizar as oportunidades e os desafios das inovações na utilização dos recursos biológicos renováveis. A participação no Green Rio 2018 trouxe para o GEBio a oportunidade de se aproximar de um novo terreno de estudo e reflexão – os pequenos negócios na bioeconomia. Só temos que saudar o Green Rio como evento de referência em bioeconomia e aguardar o Green Rio 2019!

As apresentações feitas no Green Rio 2018 estão disponíveis aqui.

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