O fenômeno da “vaca louca”,

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Por que as vacas estão loucas?
Alexandre Harkaly.
ibd@ibd.com.brcows31

 

 

O fenômeno da “vaca louca”, ainda não totalmente explicado e confirmado pela ciência é provavelmente o caso mais espetacular de manifestação patológica, devido ao manejo agropecuário empregado atualmente, que se choca frontalmente com a natureza do animal herbívoro ruminante.

Há até o momento três hipóteses a respeito da causa do sintoma da vaca louca.

1-A primeira diz respeito a um produtor orgânico da Grã-Bretanha que alertou que estes sintomas se assemelham a sintomas de contaminação de inseticidas organofosforados. No início dos anos 90, quando começaram a aparecer os primeiros sintomas da vaca louca, estudos foram feitos onde os focos de aparecimento da doença, quando colocados em um mapa e justapostos sobre o mapa de regiões mais contaminadas por fosforados, batiam, combinavam. A contaminação do meio ambiente estaria tanta, que através da água e pasto o animal estaria se contaminando, somado aos organofosforados que na época ainda eram usados no combate a ecto parasitas do gado. Esta hipótese ainda hoje é defendida por algumas pessoas.

2-A segunda diz respeito à contaminação através de príons, proteínas especiais que em uma forma deformada de príons atuariam a nível cerebral lavando o animal a adoecer e ter seu cérebro se desestruturando e perdendo as suas funções.

3-A terceira diz respeito à hipótese lançada por Rudolf Steiner há 77, de que ao consumir a ração fabricada em parte com carcaças de animais, estes ruminantes estariam, por uma questão de estrutura natural do organismo, estariam se acumulando com uratos que atacam por sua vez o cérebro, processo semelhante às doenças que ocorrem em humanos, que com excesso de nitrogênio no sangue, o humano fica louco, demente, fora dos padrões normais de consciência.

A Antroposofia (cujo fundador foi Rudolf Steiner, 1861-1924) entende os animais como nossos “irmãos” que por uma razão ou outra, no seu desenvolvimento, ficaram para trás, presos nas estruturas físico-anímicas desenvolvidas ao extremo e desviadas do desenvolvimento humano como por exemplo a vaca, que é o ser mais desenvolvido e perfeito para a transformação de massa herbácea em proteína animal, ou seja, a digestão metabólica. A vaca apresenta o mais incrível, perfeito, eficiente e admirável sistema de ruminação, fermentação e produção de proteína animal a partir das plantas herbáceas, que são nada mais nada menos do que acumuladoras de energia solar em forma de substância material – amido, açúcar e celulose.

As técnicas de produção animal empregadas especialmente aos ruminantes, de enriquecimento da sua ração diária com proteínas de carcaças de outros animais, vai frontalmente contra a aptidão desenvolvida ao longo da evolução dos bovinos gerando desequilíbrios e resíduos fermentativos para o qual estes animais não estão preparados. Estes resíduos afetam por sua vez, via corrente sanguínea, o seu sistema neurosensorial. O animal não consegue eliminar as altas doses de compostos nitrogenados, amino-ácidos, pró-proteínas e por que não príons, formados ou que sobram na fermentação destas carcaças, diferentemente das aves que, ao ingerir restos de animais, eliminam estas substâncias pelos seus excrementos concentrados e ricos em nitrogênio, mais que o dobro em concentração se comparados aos excrementos dos ruminantes.

Isto tudo já havia sido previsto por Rudolf Steiner em 1923, no seu ciclo de palestras “Saúde e Doença!”, em que o sintoma foi descrito exatamente:

“Agora pensem, que o bovino imagina uma vez, a dizer: isto me é muito monótono, que eu tenha que perambular e me dedicar a morder estas plantas. Isto pode ser feito para mim por outro animal. Eu vou comer então este animal! Então o bovino começaria a comer outro bovino. Mas ele pode produzir ele mesmo esta carne! Ele tem a força em si para isto. O que acontece portanto quando em vez de vegetais ele se alimenta de carne? Ele deixa de utilizar as forças dentro dele, que servem para produzir a carne. Se vocês imaginarem uma fábrica em algum lugar, que através desta algo deva ser produzido, e ela produz nada, mas a fábrica inteira e posta em movimento, pensem vocês, que força é perdida, desperdiçada! Se perde uma força enorme. Mas, meus senhores, a força, que se perde no corpo animal não se perde simplesmente. O animal se entope todo desta força, esta força faz algo diferente nele do que de plantas se produzir carne. Esta força está nele e permanece lá. Ela faz algo diferente nele. E isto, o que a força faz é produzir muito urato. Em vez de se produzir carne, se produz substâncias nocivas. O bovino iria portanto, ao começar a ingerir carne, se encher de substâncias nocivas. As saber, de uratos e de sais de uréia.

Mas os uratos também tem seus vícios. Os vícios especiais dos uratos são que eles tem uma fraqueza pelo cérebro e pelo sistema neuro- sensorial. O resultado disso seria que quando o bovino comeria carne diretamente, a ponto de se formarem grandes quantidades de uratos, estes iriam ao cérebro e o bovino ficaria louco. Se nós alimentássemos o bovino com pombas, nós teríamos um rebanho maluco, mesmo sendo as pombas tão mansas, as vacas ficariam loucas.”

A palestra se desenrola então em uma comparação dos temperamentos adquiridos dos animais que comem carne como o leão e os que comem somente vegetais como as vacas. Os temperamentos mudam de acordo com a constituição animal e de acordo com a dieta. Carne leva a temperamentos mais agressivos. Vegetais a temperamentos mais moderados!

Segue ainda a dizer que humanos que se alimentam de carne acabam com o tempo acumulando as toxinas através do acúmulo de uratos. Estes têm que ser eliminados depois pelo organismo por bem, ou por mal através de doenças que surgem perturbando os processos do açúcar no organismo, conduzindo o organismo a formas de diabetes.

O processo de geração da doença com estes conhecimentos descritos acima ainda está mais ou menos esclarecido. O desenrolar da cadeia de contaminação e determinação de quais os organismos sujeitos a esta doença ainda está por acontecer. Por enquanto, há várias hipóteses que deverão ser comprovadas cientificamente.

São as vacas que estão loucas ou serão os homens que, dirigidos por estratégias de produção agropecuária exacerbadamente mecanicistas e ambiciosas, ignorantes da verdadeira função e das necessidades dos seres vivos, impõem dietas aos ruminantes, incompatíveis com a sua natureza?

A agricultura biodinâmica, que surgiu do impulso da Antroposofia, sempre condenou o uso de carcaças animais como ração para ruminantes. Esperamos que com esta “adoecida”, a agricultura mundial dê a guinada definitiva na direção de uma agricultura natural respeitadora das naturezas do planeta e humana, que estão integradas e são dependentes uma da outra.

A questão das doenças degenerativas do sistema cerebral e neuro- sensorial em humanos ultrapassa hoje qualquer limite de compreensão científica. Estatísticas mostram que em países desenvolvidos, se a pessoa tem 85 anos ela tem 50 % de chance de estar com alguma doença degenerativa cerebral, Parkinson, Alzheimer ou câncer.

As hipóteses mais recentes em relação à atuação dos radicais livres que estariam degradando, envelhecendo o organismo humano precocemente, leva hoje a camada mais esclarecida da população a consumir vitaminas, sais e substâncias neutralizadoras dos radicais livres, buscando harmonizar a função celular e a função do organismo como um todo.

Substâncias ingeridas que perturbam as sinapses, terminais das células nervosas do organismo, onde ocorrem transmissão de informações, acabam levando também à degeneração das células nervosas como um todo. A eliminação de substâncias nocivas como cigarro, álcool, e agentes químicos com radicais livres, como estabilizantes e aditivos químicos e a adição à dieta de alimentos harmonizadores destas ligações sinápticas como as proteínas vegetais derivados da soja, iogurtes e plantas parecem ser hoje recomendáveis e se aliam às fórmulas modernas adotadas em todo o mundo por populações com índices de longevidade saudável.

 

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